Em um movimento sem precedentes na história da inteligência artificial comercial, o governo dos Estados Unidos emitiu uma diretiva de controle de exportações que forçou a Anthropic a desativar globalmente seus dois modelos mais avançados, o Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5. A medida, recebida em 12 de junho de 2026, gerou um impasse direto entre a empresa e a administração Trump — com negociações presenciais em Washington ainda em curso em 15 de junho de 2026.
Em 9 de junho de 2026, a Anthropic lançou o Claude Fable 5 e o Claude Mythos 5, seus modelos mais poderosos até o momento, pertencentes à nova geração chamada Mythos-class. Com janela de contexto de 1 milhão de tokens e ganhos expressivos em tarefas de engenharia de software, pesquisa científica e visão computacional, os modelos foram recebidos como um marco significativo para a empresa. O Fable 5 foi disponibilizado a 10 dólares por milhão de tokens de entrada e 50 dólares por milhão de tokens de saída — metade do preço do Claude Mythos Preview — e incluído nos planos Pro, Max, Team e Enterprise da plataforma.
No entanto, apenas três dias após o lançamento, em 12 de junho às 17h21 (horário do leste dos EUA), a Anthropic recebeu uma diretiva federal invocando autoridades de segurança nacional. A ordem exigia a suspensão imediata do acesso ao Fable 5 e ao Mythos 5 para todos os cidadãos estrangeiros, dentro ou fora do território norte-americano — incluindo os próprios funcionários estrangeiros da Anthropic. Na prática, cumprir essa exigência tornou operacionalmente impossível manter os modelos disponíveis para o público em geral, levando ao bloqueio global de ambos para toda a base de usuários da empresa.
Segundo o comunicado oficial da Anthropic, o governo afirmou ter identificado um método de contornar as salvaguardas dos modelos, o chamado jailbreak. A vulnerabilidade demonstrada consistia em solicitar ao modelo que lesse uma base de código específica e identificasse falhas de software — o que poderia ser explorado em contextos de cibersegurança por atores maliciosos estrangeiros, segundo a avaliação das autoridades.
A empresa, porém, discorda veementemente da avaliação. Em nota pública, a Anthropic argumentou que a vulnerabilidade identificada é estreita e não universal, ou seja, não funciona de forma consistente em todos os contextos. A empresa também apontou que comportamentos similares já existem em outros modelos comerciais amplamente disponíveis no mercado, e que a decisão de remover do ar um produto usado por centenas de milhões de pessoas, com base apenas em evidências verbais sobre uma falha menor, carece de proporcionalidade e transparência. Entre os principais argumentos apresentados pela Anthropic estão:
Em 15 de junho de 2026, membros seniores da equipe técnica da Anthropic viajaram a Washington D.C. para reuniões presenciais com representantes da administração Trump. Além dos encontros presenciais, as duas partes têm mantido reuniões virtuais diárias desde a emissão da diretiva. A Anthropic afirmou que pretende restaurar o acesso aos modelos tão logo o impasse seja resolvido, e que todos os demais modelos da empresa — incluindo o Claude Opus 4.8 — permanecem disponíveis normalmente.
O episódio representa um ponto de inflexão para o setor de inteligência artificial. É a primeira vez documentada em que o governo dos EUA utiliza poderes de controle de exportações para forçar a suspensão de um modelo de IA comercial em escala global, estabelecendo um precedente que poderá redefinir como reguladores ao redor do mundo passarão a atuar sobre sistemas de IA de fronteira. Para empresas e profissionais que dependem dessas ferramentas no Brasil e em outros países, o caso evidencia uma nova realidade concreta: a disponibilidade de modelos de IA pode ser interrompida por decisões governamentais a qualquer momento, com impacto imediato sobre operações, produtos e fluxos de trabalho inteiros. A era da regulamentação ativa e soberana da inteligência artificial chegou — e este caso será estudado por governos e empresas de tecnologia por anos.